Journaling

É com diz aquela música que o Roberto Carlos canta: “eu tenho tanto pra te falar, mas com palavras, não sei dizer…”

Sumi e não sei se esse post significa uma volta. O primeiro semestre de 2017 não foi o pior da minha vida, mas foi um dos mais desafiadores e difíceis em nível pessoal mesmo. De conhecer a mim mesma. E nisso entra o journaling, ou: a prática constante de manter diários.

Recentemente, ainda mais com o boom do bullet journal (sou praticante), eu notei o resgate das práticas de escrever diários. De maneira mais ou menos constante, escrever em diários foi algo que sempre mantive offline e online. O blog, mesmo com as diversas mudanças ao longo da minha vida, sempre teve e tem um quê pessoal de testemunhos e relatos de experiências minhas. Minhas agendinhas desde adolescente tem uma gaveta só delas.

Eu não tenho a menor vergonha de dizer que, pra mim, essa prática de escrever diários veio por influência de “O Diário da Princesa” quando eu tinha meus onze pra doze anos de idade. Foi nesse período que comecei a pegar, em geral, o gosto pela leitura. E uma coisa puxa a outra. A personagem do livro, Mia, ganha um diário da mãe pra escrever e lidar com seus problemas – descobrir ser uma princesa de um principado europeu e ser estudante do ensino médio. A narrativa do livro são as entradas do diário dela, com a reprodução de diálogos e seus comentários. Por quase toda minha adolescência, até o segundo ano, meus diários seguiam esse estilo. Contar o meu dia. Expressar minhas opiniões e frustrações sobre minha vida e tentar fielmente reproduzir essas cenas.

Lembro muito bem que, já no segundo ano do ensino médio, na pressão de estar a um pé do último ano e do vestibular, duas garotas, que eu não convivia muito, me pegaram escrevendo no meu diário em sala de aula e comentaram alto sobre a infantilidade de ainda “ter diário”.  Depois disso eu fiquei muito tempo sem ter registros tão fieis daquela época, e infelizmente, perdi até mesmo muitos dos diários antigos. Aquela coerção social básica me fez largar de mão escrever porque era coisa de “pré-adolescente”. O tempo passou (e eu sofri calada), e acabei transferindo para o mundo online a prática, mas bem menos descritiva. E a cada nova mudança de endereço dos meus blogs, menos pessoal e mais “profissional” minha escrita se tornava (influência da via acadêmica também). Em vez de mim, me restringi a falar só sobre minhas leituras.

Até que as noites de insônia desse último semestre vieram e eu redescobri a capacidade que escrever sobre nós mesmos tem. Quem é fã de Harry Potter sabe como funciona uma Penseira. A penseira é um repositório de memórias que Dumbledore usa quando a cabeça está muito cheia de coisas. O diário é a mesma coisa. É um repositório de memórias que você pode usar simplesmente para tirar pensamentos aleatórios da cabeça, ou para organizar ideias, ou para desabafar. Os propósitos são variados, mas a função geral é colocar pra fora um pouco do turbilhão mental. Parecia até magia que, no cansaço de não conseguir dormir, escrever páginas de pensamentos aleatórios e relatos do dia me acalmassem o suficiente.

Praticar journaling é como esvaziar a memoria cache do seu dispositivo. E deixar guardado pra depois reler, se não der ideias novas ou esclarecer dúvidas que a gente nem sabia que tinha e estavam ali, serve, no mínimo pra fazer perceber que o tempo passa e que os dias e nossas mentes mente não são vazios como, às vezes, a loucura cotidiana e a corrida por alta performance na vida te fazem pensar.

Journaling é sobre ter uma história que só a gente pode contar: nossa memória.

 

 

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Hábitos

Se você quer mudar um hábito em 2017, REFLITA SOBRE VOCÊ. Que tipo de pessoa você é? Quando você teve êxito no passado? O que te estimula? O que você consegue controlar? Não ache que se você só conseguir manter sua mesa limpa, você vai ser tão produtivo quanto seu colega organizado. Não se force a manter uma lista de afazeres se você detesta a própria ideia de lista.

Gretchen Rubin. “Old habits die hard – here’s how to change your life in 2017“. The Guardian. Dezembro, 29, 2016. (tradução própria).

Eu topei com esse artigo do The Guardian sem querer. E eu normalmente acho tão chato sessões de colunas “vida e estilo” porque geralmente é alguém discutindo como você deveria orientar sua vida e tentando te dar um passo a passo que parece simples e revolucionário, mas nunca é. Fora que atualmente a maioria dessas sessões é como você ser feliz, bem sucedido e produtivo na vida – ou como eu costumo enxergar, como tentar fazer da sua vida um cenário de filmes hollywoodianos contemporâneos da vida “agitada” de Nova York.

Esse tipo de coisa me lembra uma crônica do “Alguém Especial”, um livro publicado pelo jornalista Ivan Martins, que eu li lá em 2014. Não lembro o título e nem todo o teor da crônica, mas era algo sobre como os filmes de comédia romântica arruínam a gente porque criam expectativas irrealizáveis sobre nossas vidas. Se é intencional ou não, eu não tenho a menor ideia, mas a imagem que a gente tem das coisas nos causam impressões e associadas a um ritmo alegre e divertido que esses filmes tem, causam sim algum tipo de influência – sobretudo quando estamos naquelas fases de “começar” algo ou meio perdidos sem saber o que fazer.

Pelo menos é assim comigo. Por que Deus e a Netflix sabem que quando quero dar um gás na produtividade eu coloco “Legalmente Loira” pra rodar – nada dá mais vontade de fazer as coisas do que a cena dela com a fantasia de coelhinha comprando o notebook pra se dedicar aos estudos. Mas bem, como milhões de textos de “vida e estilo” já disseram por aí, nossa vida não é mesmo as cenas de um filme ou os vídeos de blogueiros do youtube, ou as fotos do instagram. Aqueles são enquadramentos, fragmentos que a gente arbitrariamente embeleza para que os outros vejam. E tudo bem, é bonito mesmo. A estética é uma coisa impressionante  – ainda mais a estética do individualismo liberal moderno, que é a que a gente aprende desde que nasce.

Mas o que tudo isso tem a ver com o excerto do The Guardian ali de cima?

Que a autora começa te mandando refletir sobre si. E isso é uma coisa que a gente costuma fazer tão pouco. Ou quando faz, é numa crise de “bads” existenciais. Passei a virada, depois do texto, realmente pensando no tipo de pessoa que eu sou – olha lá a auto-ajuda surtindo efeito – e no quanto me aborreço ou me frustro por algumas expectativas irrealizáveis sobre mim, feitas tanto internamente quanto externa. É uma paranoia, na verdade, se a gente parar e pensar o quanto a gente fica tentando moldar nosso comportamento em relação ao outro e o quanto a internet é um canal de influência sobre isso.

Acho que a coisa mais certa mesmo é que hábitos são difíceis de mudar – die hard, mas porque a gente sequer conhece nossos próprios hábitos a ponto de conseguir se desprender deles. Então… Repete aí comigo: I am one with the Force, the Force is one with me. O que basicamente significa, confia e vai, mana!

Esse texto ficou auto-ajuda? É né, fazer o quê.

E eu gosto de listas.

Mas realmente preciso torná-las mais realizáveis.

O custo da distração

Mais uma rodada de planos falhos. Estava tudo perfeitamente esquematizado, nesse final de semana eu poria meus trabalhos em dia, leria alguma coisa para definir minha dissertação e também começaria a rascunhar o artigo que preciso entregar em breve. Sabem o que eu fiz? Nada do que eu planejava. E um grande nada em geral.

Assisti filmes que já havia visto e comecei séries que não deveria.

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