Projeto de leitura 2017

Depois do fiasco que foram meus planos de leitura de 2016 eu decidi: continuar sendo ambiciosa. Fazer o quê. Mas uma ambição diferente. Dessa vez em vez de trabalhar com quantidade de livros a serem lidos, eu tô trabalhando com livros que “deveria ler”, mas sempre enrolei. Livros que eu acompanhei resenhas ou listas de favoritos de outras pessoas e que estavam presentes também em filmes que eu gosto, mas que nunca tive coragem de meter a cara. A verdade é que desde o ano passado meu gosto literário andou se modificando e ainda tô com “aterro em consolidação” nessa nova área menos contemporânea de leituras.

Me apropriando do projeto da Tatiana Feltrin de 12 livros para 2017, pretendo ler, no mínimo, esses 12 livros ao longo desse ano. Assim, se não der pra ler a média de 3 ou 4 por mês, me comprometo em pelo menos terminar esses que separei. E espero que dê certo. Mas tem um bônus também, é claro, porque a ambição não tem limites aqui, só que eles ficam pro final do post.

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SESSÃO BÔNUS

Então é isso. Pelo menos esses 12 livros saem esse ano! Fé que vai! Mas como eu andei revendo a lista, tá bem masculina a situação, né? Resolvi colocar umas leituras bônus pelo meio do caminho:

  • Como Conversar com um Fascista – Marcia Tiburi
  • Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus
  • Perto do Coração Selvagem – Clarisse Lispector
  • Frankenstein – Mary Shelley

 

E também tentar pagar uns devidos do ano anterior que me dão vergonha não ter conseguido ler ou terminar:

  • Trilogia do Senhor dos Aneis – J. R. R. Tolkien
  • On the Road – Jack Kerouac

 

Basicamente, 2017 é o ano em que vou ler no mínimo 12 livros só-que-na-verdade-são-vinte-porque-senhor-dos-aneis-conta-como-três. E fora, evidentemente, os livros do clube do livro online, que são um por mês e também tem maratonas. E se você tiver a fim de participar, só ler aqui nosso projeto literário pra 2017.

 

Tema do ano: Do. Or do not. There is no try.

Yoda.

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Retrospectiva literária de 2016

Ah, 2016… O ano do “que que tá ‘contecendo”

Nem vou enrolar muito aqui que esse post vai ser um pouco longo, mas preciso fielmente fazê-lo para fins de registro e recordação. Início de 2016 eu preparei minhas metas literárias bastante ambiciosas, afinal, era o ano de uma quase “licença sabática” do mestrado – o ano de se dedicar só a escrever. O que significa tempo, o que significa mais leituras. O que aconteceu? A mesma coisa que aconteceu com a política desse país: perda total de controle.

Total de livros lidos em 2016:

26

LISTA DE LIVROS LIDOS DE 2016
JANEIRO


O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
Vidas Secas – Graciliano Ramos
Ler, Viver e Amar – Jennifer Kaufman

FEVEREIRO


Winter – Marissa Meyer

ABRIL


Emma – Jane Austen
O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel Garcia Marquez
Como Água para Chocolate – Laura Esquivel
A Abadia de Northanger – Jane Austen
Persuasão – Jane Austen

MAIO


Razão e Sensibilidade – Jane Austen
Orgulho e Preconceito – Jane Austen
A Sereia – Kiera Cass
Mansfield Park – Jane Austen
A Letra Escarlate – Nathaniel Hawthorne

JUNHO


Uma Chama entre as Cinzas – Sabaa Tahir
A Court of Mist and Fury – Sarah J. Maas
A Redoma de Vidro – Sylvia Plath
Juliette Society – Sasha Grey
O Melhor de Caio Fernando Abreu – C. F. A.

JULHO


Zenith – Sasha Alsberg & Lindsay Cummings
O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë
Hibisco Roxo – Chimamanda Adichie
A Garota do Calendário (Janeiro) – Audrey Carlan
A Garota do Calendário (Fevereiro) – Audrey Carlan

AGOSTO


Desonra – J. M. Cotezee

SETEMBRO


Noite na Taverna – Álvares de Azevedo

 


Rol das breves impressões de leitura

Leituras de janeiro:  Iniciei o ano com Grande Gatsby, foi tipo uma leitura coletiva pra “passar o tempo” até começar a programação oficial do Clube do Livro Online (organizado pelo Blog Da Literatura) e foi um livro legal e do qual escrevi sobre aqui. Vidas secas foi, provavelmente o melhor livro do ano pra mim. Me marcou de uma tal forma que não sei dizer, continua me remexendo lá no âmago vez ou outra e também fiz resenha dele. Ler, Viver e Amar foi um livro que recebi pelo correio através do Livro Viajante – CLO, onde trocamos livros entre os membros. As referências a diversos livos foi bem legal, mas achei a leitura um tanto monótona e nem me importei com qualquer um dos personagens.

Leituras de fevereiro: Só li Winter nesse mês. Winter é o quarto e último volume da série Crônicas Lunares da Marissa Meyer. Demorei horrores pra ler quando saiu porque é aquela velha ansiedade com volumes finais. Foi muito bom, no fim, acho que fechou bem o arco e teve umas reviravoltas muito interessantes, mas meu favorito continua, sem sombra de dúvidas, sendo Cress. Fica aqui o lembrete pra eu escrever sobre Crônicas Lunares aqui.

Leituras de abril: Que mês lindo. Provavelmente se teve um livro que eu gostei “menos” foi Como Água para Chocolate. Os da Jane, não tenho nem o que falar de tão maravilhosos. Emma e o retrato dos costumes da época, Abadia que te faz rolar de rir (com a crítica maravilhosa aos não-romancistas), Persuasão é… O meu favorito depois de Orgulho e Preconceito – acho, é difícil definir, me ajuda. E ainda teve O Amor nos Tempos do Cólera que foi incrível e marcante. Certamente, entre os melhores da vida. Tem um pouco sobre essas leituras no post lidos acumulados.

Leituras de maio: Outro mês de puro arraso! Fora A Sereia, tão uó quanto a série A Seleção da Kiera Cass, o resto não tenho do que reclamar. Achei que fosse odiar Mansfield Park, mas foi maravilhoso! A complexidade dos personagens e das tramas morais me tirar o ar até hoje e o Edmund é um babaca (foi uma leitura tão interessante que fiz diários de leituras pra quem tiver a fim de ler – mas tem spoilers viu). Razão e Sensibilidade se mostrou o meu menos favorito dos livros da Jane, mas quem sabe uma releitura resolva isso né, só que a história foi tão arrastada… Orgulho e Preconceito: QUE LIVRO. E A letra escarlate? Belíssimo, também entrou nos favoritos da vida e tem resenha.

Leituras de junho: Dois livros que tô tentando me recuperar até hoje: A Redoma de Vidro e A Court of Mist and Fury. Tá um caso seríssimo. O livro da Sylvia Plath foi angustiante, mas inesquecível e tem resenha. O ACOMAF… Melhores plot twists da vida, uma reorientação de perspectiva tão difícil de acontecer em livros de fantasia/distopia atuais. O da Sasha Grey foi mais do mesmo de livro erótico, mas pelo menos sem muitos moralismos. Uma Chama Entre as Cinzas foi ok, mas li com aquela sensação de “já li esse tipo de coisa antes” e os contos do Caio Fernando Abreu… O que comentar dessas maravilhosidades? “Aqueles dois” e “Borboletas Azuis”… Lindos.

Leituras de julho: Vamos esquecer que li os livros d’A Garota do Calendário? Vamos. Zenith, da booktuber gringa que Abookutopia – Sasha Alsberg que eu sigo tem muito potencial, eu gostei, na boa, to esperando a continuação. O Morro dos Ventos Uivantes? Caramba. To criando coragem pra ver o filme ainda, que Heathcliff do capeta! E Hibisco Roxo da Chimamanda? Só digo que quero ler TUDO que essa mulher escreve. Intenso e maravilhoso!

Leituras de agosto: Só li um livro. Desonra. Não sei me definir sobre ele ainda. Foi muito bom e também tenso. É um livro sul-africano que conta a história de um professor acusado de assédio sexual e estupro. Eu achei o cara um nojo, mas a discussão sobre escracho, práticas culturais entre outros é muito interessante.

Leituras de setembro: O último livro do ano antes do flop enorme de meses que só teve encerramento esse ano. É um compilado de histórias de terror que são contadas numa única noite de bebedeiras por homens numa taverna. Tem uns contos muito interessantes e outros monótonos, mas tristemente a maioria tem cenas de estupro e abuso. É horrível notar como são/eram situações sociais normalizadas.


TOP TOP DE 2016

  1. Vidas Secas – Graciliano Ramos
  2. A Redoma de Vidro – Sylvia Plath
  3. O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel García Marquéz
  4. Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie
  5. Orgulho e Preconceito – Jane Austen
  6. A Letra Escarlate – Nathaniel Hawthorne
  7. Mansfield Park – Jane Austen
  8. A Court of Mist and Fury – Sarah J. Maas

E… Cabô?

Não! Preciso fazer menção ao projeto Clube de Leitura Virginia Woolf, que me fez começar a ter contato com a maravilha que foi essa autora. E falando nela, preciso deixar registado aqui o quanto o conto A Marca na Parede é maravilhoso, tão maravilhoso que até escrevi sobre ele ano passado.

A Marca na Parede – Virginia Woolf [Conto]

Esse post faz parte dos meus diários de leitura do Clube de Leitura Virginia Woolf. Começando por ordem cronológica com as publicações da autora, o conto ‘A Marca na Parede’, é, tecnicamente, o primeiro trabalho dela publicado, mas sei que existem outros. Esse conto é de 1917 e se passa na interação que se estabelece entre o eu-lírico e uma marca na parede do quarto onde ele está. Esse ato de observar a marca se desdobra então em vários níveis de pensamento aparentemente aleatórios, mas que ao meu ver, estão conectados pela simples emoção de mortalidade e brevidade da vida.

Pelos comentários que li das pessoas que já tem uma intimidade com a Virginia, inclusive a resenha da Francine sobre o conto, nele elementos marcantes da estética e técnica da autora já podem ser claramente observados. O que mais me chamou atenção e que é talvez, a técnica pela qual ela seja mais conhecida e precursora, é o fluxo de consciência. Entendo como uma espécie de narrativa psicológica não-linear de múltiplos níveis que se movimentam ao mesmo tempo.

Às vezes eu costumo escrever assim, sem título e pretensão, a partir de  uma observação cujas palavras vão somando-se umas as outras e tomando uma forma da qual não encontro primeiro esboço em qualquer canto da minha mente. Se materializa quase em sincronia com o momento em que é idealizada. Me pergunto se o desfecho do conto ela já havia previsto, se ela pensou antes em tudo que escreveu ali, ou pelo menos as ideias mais fortes… Acho que não. É um tipo de arroubo narrativo que me prende, me fascina, e que queria dominar também. A meu ver é um tipo de técnica que não perde a impulsividade mãe da criação, e nas mãos dela, foi fantástico. Tô aqui ansiando por ler tudo dessa mulher.

Eu terminei de ler o primeiro conto e só o que me vem a cabeça é: por que não te li antes, Virginia? Mas ao mesmo tempo, meu eu de antes provavelmente não teria sentido o impacto que senti agora, não estaria tão de espírito e consciência aberta pra se conectar ao fluxo de consciência – como bem dito – que ela estabeleceu. Deu vontade de rir ao terminar, pensando em quantas vezes não parei e tive surtos parecidos com coisas tão “banais” como palavras. Sabe quando você repete tanto uma palavra, brinca com ela na mente, que ela perde o sentido, se transforma em algo estranho que te faz pensar em tudo que é porque “assim é”, e em perguntar por que não poderia ser de outro jeito? E no meio dessas breves reflexões que nos atingem tem uma vida incessante que nos rodeia, que nos carrega. Foi maravilhosa a experiência de leitura, que tive que fazer de novo, quase imediatamente, que tive que ler em voz alta também de tão bonita que é a escrita. – Comentário que fiz logo depois de ler o conto no tópico de discussão do Facebook.