O estudo das escolhas

A economia é a ciência da escassez. Sua premissa de existência se dá no binômio: necessidades são ilimitadas, recursos são limitados. Não sendo possível possuir tudo, escolhe-se. Como se dão essas escolhas? Há mais premissas envolvidas.

A primeira delas é a modelagem de quem escolhe. Na base da economia está o Homem racional. Um agente otimizador e previsível que sempre busca escolher visando a maximização dos ganhos e a minimização das perdas. Toda vez que faz uma escolha, ele necessariamente abre mão de outra calculando seu custo de oportunidade.

O custo de oportunidade pode ser entendido como o quanto valeu a escolha feita, ou também entendido como a melhor alternativa não selecionada. Como é racional, é difícil pensar que o custo de oportunidade foi ruim. Mesmo quando ele é alto, se ele foi feito, é porque o retorno esperado por esse agente é ainda maior.

De maneira mais próxima da realidade, esse Homem racional abstrato pode ser definido em agentes econômicos. Dentro da microeconomia eles se distribuem em quatro grandes tipos ideiais (emprestando a construção teórica de modelo de Max Weber): famílias, firmas, governo e resto do mundo. Todos esses agentes, o tempo todo, estão escolhendo e calculando seu custo de oportunidade, ainda que inconscientemente disso.

As famílias calculam entre seu consumo presente e seu consumo futuro. Mas também entre trabalho e lazer, haja vista que o sistema capitalista se estrutura no trabalho assalariado.

As firmas debatem-se na chamada “tríade dos problemas centrais da economia”: o que produzir? para quem produzir? como produzir? O como se subdivide ainda nos fatores produtivos (capital, terra, trabalho e tecnologia), são eles que de fato vão viabilizar qualquer escolha produtiva selecionada.

O governo calcula o tempo todo a maximização do bem-estar social. Ele é, histórica e conceitualmente, o baluarte da segurança da vida em sociedade – mesmo que pelo meio da força. Para a economia, esse governo trabalha em quatro grandes linhas de atuação: redistribuição, alocação, estabilização e regulação. Se, na premissa lockeana do governo como mal necessário para fruição da prosperidade da sociedade civil é correta: todas essas linhas de atuação são instrumentos para que a economia funcione. A economia funcionando, todos ficam felizes – uma derivada utilitarista da análise.

Em termos gerais, a função redistributiva parte do entendimento de que o capitalismo é um sistema que tende a concentração de riquezas, e que a concentração de riquezas, a determinado nível, corroi a coesão social pela desigualdade. O governo deve entrar então como mediador, realocando, contra a mão livre do mercado, recursos entre os mais ricos e os mais pobres.

A função alocativa pode ser entendida como a promoção da estrutura necessária, direta ou indiretamente, para que essa economia funcione. O papel do governo aqui é então de infraestrutura, coletando via sistema de impostos o financiamento para bens de uso público como hospitais, escolas, praças, saneamento, entre outros.

A função estabilizadora age diretamente na permanente tensão do sistema capitalista: emprego e renda. Chama-se assim pois o desequilíbrio nesses dois elementos geram (ou são causados) profundas crises econômicas, que por sua vez, rapidamente contaminam as relações sociais e políticas de uma sociedade. O governo deve agir, portanto, para que a renda e o emprego estejam em níveis ótimos, dentro do que é possível em cada contexto.

Por fim, e cada vez mais importante, a função reguladora. Seja do lado dos que propagam a intervenção mínima do Estado na economia, seja dos que levantam a bandeira de que ele deve ser a força maior no crescimento de um país, é patente a ambas que algum grau de regulação das relações econômicas sempre será necessário. O governo, então, tem a função de promover as regras de funcionamento da economia, de preferência de forma clara e objetiva, para que os agentes possam atuar com maior grau de segurança e previsiblidade.

As funções devidamente estabelecidas e os trade-offs e cálculos de oportunidade elencados, a economia, como ciência social aplicada, parte também de uma base fundamental de todas as ciências sociais: a interação. Onde esses agentes se relacionam?

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