A Marca na Parede – Virginia Woolf [Conto]

Esse post faz parte dos meus diários de leitura do Clube de Leitura Virginia Woolf. Começando por ordem cronológica com as publicações da autora, o conto ‘A Marca na Parede’, é, tecnicamente, o primeiro trabalho dela publicado, mas sei que existem outros. Esse conto é de 1917 e se passa na interação que se estabelece entre o eu-lírico e uma marca na parede do quarto onde ele está. Esse ato de observar a marca se desdobra então em vários níveis de pensamento aparentemente aleatórios, mas que ao meu ver, estão conectados pela simples emoção de mortalidade e brevidade da vida.

Pelos comentários que li das pessoas que já tem uma intimidade com a Virginia, inclusive a resenha da Francine sobre o conto, nele elementos marcantes da estética e técnica da autora já podem ser claramente observados. O que mais me chamou atenção e que é talvez, a técnica pela qual ela seja mais conhecida e precursora, é o fluxo de consciência. Entendo como uma espécie de narrativa psicológica não-linear de múltiplos níveis que se movimentam ao mesmo tempo.

Às vezes eu costumo escrever assim, sem título e pretensão, a partir de  uma observação cujas palavras vão somando-se umas as outras e tomando uma forma da qual não encontro primeiro esboço em qualquer canto da minha mente. Se materializa quase em sincronia com o momento em que é idealizada. Me pergunto se o desfecho do conto ela já havia previsto, se ela pensou antes em tudo que escreveu ali, ou pelo menos as ideias mais fortes… Acho que não. É um tipo de arroubo narrativo que me prende, me fascina, e que queria dominar também. A meu ver é um tipo de técnica que não perde a impulsividade mãe da criação, e nas mãos dela, foi fantástico. Tô aqui ansiando por ler tudo dessa mulher.

Eu terminei de ler o primeiro conto e só o que me vem a cabeça é: por que não te li antes, Virginia? Mas ao mesmo tempo, meu eu de antes provavelmente não teria sentido o impacto que senti agora, não estaria tão de espírito e consciência aberta pra se conectar ao fluxo de consciência – como bem dito – que ela estabeleceu. Deu vontade de rir ao terminar, pensando em quantas vezes não parei e tive surtos parecidos com coisas tão “banais” como palavras. Sabe quando você repete tanto uma palavra, brinca com ela na mente, que ela perde o sentido, se transforma em algo estranho que te faz pensar em tudo que é porque “assim é”, e em perguntar por que não poderia ser de outro jeito? E no meio dessas breves reflexões que nos atingem tem uma vida incessante que nos rodeia, que nos carrega. Foi maravilhosa a experiência de leitura, que tive que fazer de novo, quase imediatamente, que tive que ler em voz alta também de tão bonita que é a escrita. – Comentário que fiz logo depois de ler o conto no tópico de discussão do Facebook.

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