O Grande Gatsby – Resenha

Primeira leitura de 2016, o terceiro livro escrito por F. Scott Fitzgerald, publicado em 1925, O Grande Gatsby foi uma espécie de leitura de interlúdio enquanto a programação normal do Clube do Livro Online não começava. Descrito no site do History como “um livro sobre a busca de um gangster por uma garota rica”, acho que é muito mais do que isso, embora também seja isso, rs. Influenciada ainda pelo filme Bonequinha de Luxo, que assisti não faz muito tempo, a atmosfera do livro do Fitzgerald também me pareceu a mesma, envolta naquele glamour quase desenfreado da década de 20 americana, no intervalo entre o pós-guerra e a Grande Depressão.

Quem é Gatsby? É a pergunta que se faz durante o livro, e são tantas as respostas que você custa a acreditar na verdadeira, quando ela surge meio sorrateira, mas não com uma grande surpresa da trama. É um cara, evidentemente rico, que dá festas daquelas que vão pessoas completamente desconhecidas e de quem todos falam, mas ninguém conhece muito bem. Pra mim, como metáfora, Gatsby representa a necessidade de consumo de uma “vida noturna”, de uma “vida badalada”, a quase obrigatoriedade de se inserir em circulo social e o desejo de fazer parte do mais exclusivo dos círculos. Como personagem, representa um pouco de cada um de nós, em busca de sonhos, medrosos do julgamento alheio, e até certo ponto, esperançosos de que as coisas vão dar certo, não porque espera-se que elas deem, mas porque faz-se por onde.

Assim como A Cidade e as Serras, do Eça de Queiros, é um livro também contato pelo ponto de vista de outro personagem, nesse caso Nick. Ultimamente, esse estilo de narrativa tem sido o meu favorito, fica no meio termo entre o detalhismo sensorial da primeira pessoa, e a onipotência do narrador inexistente da terceira. De qualquer forma, vamos acompanhando quando Nick conhece Gatsby – eles são vizinhos -e passa a frequentar as festas do mesmo. Nick é um corretor imobiliário, e embora não tenha sido o foco da crise em 1929, podemos ver através do livro a cultura da financeirização nos Estados Unidos durante a década de 20. Nick e Gatsby vão se aproximando, ao mesmo tempo em que personagens secundários vão se inserindo pela trama, como Jordan, Daisy e Tom. De uma forma peculiar, a amizade entre Nick e Gatsby é formada e no meio do luxo das festas e dos sentimentos conturbados dos personagens, caricaturas de uma geração de exageros, e a simplicidade do fato grita aos olhos.

Não posso falar muito sobre os outros personagens, para não dar spoilers. Mas, como disse acima, Daisy, Tom e Jordan, podem parecer repulsivos em alguns momentos do livro, mas quem são eles se não simulacros das fases da vida? Não diria nem que são exemplos de pessoas, mas partes que temos dentro de nós mesmos. Egoísmo, superficialidade, egocentrismo… É uma característica que marca o indivíduo nascido dentro dessa doutrina liberal que é dominante desde o século XVIII. Foi certamente muito presente na década de 20, como ainda é até hoje. E talvez esse tenha sido o mais interessante do livro, não a trama em si, mas as reflexões trazidas posteriormente quando pensamos no desenrolar da obra e nas próprias reflexões do Nick, narrador, sobre os acontecimentos. Em si, acho que O Grande Gatsby é uma obra simples, não tem uma grande trama, um grande vilão ou uma escrita rebuscada.  Mas é exatamente na ausência de todas essas coisas que ele se torna marcante.

E pelo pouco que pesquisei do F. Scott Fitzgerald, Gatsby é quase uma representação da própria vida dele.


 

O Grande Gatsby

F. Scott Fitzgerald

164 páginas

L&PM

Porto Alegre, RS: 2011

4/5

 

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4 comentários sobre “O Grande Gatsby – Resenha

  1. Esse era um livro que eu queria ler há muito tempo e quando finalmente consegui terminei bastante satisfeita. Um dos pontos mais positivos pra mim foi a questão da narração, exatamente como você citou. O fato de ser por alguém de fora (que ao mesmo tempo é de dentro), que não é o protagonista, nos proporciona uma visão diferente e que eu adorei.

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