Fim da graduação

Hoje andei vasculhando meus arquivos do processo de seleção da pós-graduação, atrás do projeto que submeti ao programa pra ver qual foi a sequência que eu segui. De qualquer forma, meu projeto data exatamente de outubro de 2014, e apesar de já estarmos em novembro, ainda posso dizer que faz exatamente um ano que tomei a decisão de seguir “o caminho reto”, prosseguir nos degraus do que se chama de “vida acadêmica”.

É estranho pensar sobre isso, e até hoje me assusto sozinha ao lembrar que estou formada. Ano passado, nesse tempo, eu tentava articular a preparação para a seleção de mestrado com os textos de uma última disciplina e mais a organização do famigerado TCC. E claro, também tive que fazer o pré-projeto de dissertação que iria tentar a seleção.

Acho que nem de perto sou a mesma cabeça que era há um ano atrás, e isso é normal, afinal as pessoas mudam. É bem verdade quando dizem que a vida na universidade é definidora de quase todo o resto. Logo que eu entrei no meu curso eu imaginava uma coisa, entrei por um propósito e não pensava em nada diferente por um bom tempo, e se eu já sinto uma diferença grande entre o meu eu hoje, na reta final do primeiro ano de pós e o meu eu concluinte de graduação, o meu eu caloura é quase uma outra pessoa, uma desconhecida.

Mas esses três eu’s partilham da mesma certeza: de que não estamos preparados o suficiente.

Não acho que esse sentimento seja exclusividade minha, talvez seja um mal de geração, eu não sei. Mas estar em uma graduação, obter um diploma é meio que uma grande sensação de “E depois? E agora?”. Talvez a excessiva regulamentação e profissionalização tenha feito com que as pessoas pensem que tornar-se algo é uma mera questão de passar alguns anos em uma sala de aula, fazendo seminários e provas e obtendo um papel no final. Pronto, magicamente você é aquilo que você estudou. Só que se magia existisse eu e metade da minha geração estaríamos na “Bruxidade” e não aqui.

A verdade é que mesmo um ano após formada eu não me sinto “formada”. No meu caso, mesmo já tendo ministrado aulas voluntariamente, eu não me sinto nem apta a exercer minha licenciatura, e acima de tudo, mesmo tendo sido lapidada praticamente desde o início do curso nas vias científicas, eu definitivamente não me sinto bacharel ou cientista, stricto sensu. Meu diploma não me fez essas coisas, e ter entrado na pós não criou nenhuma sensação nova também, talvez só mais grandes questionamentos.

Mas de alguma forma louca, mudanças foram realizadas. Quais? É uma coisa que descubro a cada mês que passa. E a cada mês que passa a necessidade de “praticar” em mim é maior. Estudar é bom, mas trabalhar, exercitar toda aquela teoria aprendida deve ser bem melhor. Apesar de encarar minha pós como um trabalho, eu sei que ainda assim ela é um simulacro de profissão, de um jeito ou de outro, eu continuo protegida pelos muros da universidade e seu regimento como aluna. E vai chegando um tempo que a gente quer romper essas barreiras, mesmo cheios de medo.

Em alguns cursos isso é bem mais cedo, só uma graduação é suficiente, em outros demora um pouco mais. Mas acredito que a real sensação de que a graduação chegou ao fim é essa: a vontade de alçar voos maiores ser quase um comichão que não te faz ficar quieto. Uma vontade de se tornar de fato aqui que aquele diploma diz que você é, porque você não se torna algo pelo que um documento diz, mas pelo que você faz.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s