Como recomeçar em tempos turbulentos?

Quando eu criei esse blog, com esse título em específico, eu até sabia que minha vida seria daquelas cheias de coisas pra fazer. Sempre foi assim, nunca fui muito de ficar com tempo livre. Mas as coisas saíram um pouco do controle… Não é uma questão temporal-física, mas temporal-psicológica. Difícil de entender? Também acho. A questão toda, é que pela primeira vez em muitos anos eu tenho uma quantidade absurda de tempo livre, sem compromissos que exijam que eu me desloque muito. Por outro lado, os poucos compromissos que eu tenho, exigem um uso mental tão grande de mim, que a sensação é como se estivesse ocupada o tempo inteiro.

Eu posso não estar fazendo nada, mas minha mente fica dando voltas nas coisas que eu tenho que fazer, e como não me vejo realizando-as em curto prazo. E parece então que tudo que exija qualquer coisa de mim, vira uma obrigação, uma responsabilidade da qual quero escapar. O que foi o que aconteceu com o blog. Talvez essa profissionalização de blog tenha tido um impacto maior do que eu imaginava, quer dizer, enquanto estou aqui para aleatoriedades, existem pessoas que ficam o tempo todo aqui, procurando coisas do que escrever, estabelecendo metas, construindo sua agenda pessoal em torno do seu negócio – o blog. E eu não tenho nada disso, e me sinto inexistente no meio desse frenesi. Talvez boa parte da minha desmotivação tenha vindo disso, são coisas que não temos exatamente como saber.

E nesse ponto, escrever um post minúsculo que seja se transformou em um dos doze trabalhos de Hércules.

Exagero? Provavelmente.

Hoje, mais um dia sem nada para fazer (ou com compromissos que fiz questão de cancelar), e com as mãos coçando, me rendi a uma postagem. Tão pessoal que parece mesmo que voltei a utilizar o blog como um diário. Mas fazer o quê? Talvez seja a única forma de conseguir frequentá-lo assiduamente. E uma das razões pelas quais eu não consigo me desligar completamente dessa realidade: eu preciso escrever. Por mais que fale, nunca vou conseguir expressar tudo o que eu quero. E hoje em dia, não tem tanta gente disponível assim para sentar e escutar os desatinos de uma pessoa que procura problema onde não tem, e transforma uma pedra no caminho nos alpes suíços. Então é o espaço que me sobra, com leitores ou não-leitores.

E foi por isso que, o primeiro passo foi trocar o layout do blog. Por um outro, típico do WordPress, e grátis, já que eu não tenho paciência, nem dinheiro, pra gastar com customização. E por que não, pensei, o Manifest? Sem imagens, com destaque total ao texto. Convenci-me de imagens para postagens sempre foram minha via crucis, nunca fui boa em achar imagens com resolução digna ou que se encaixassem perfeitamente naquilo que eu queria passar ao público. Vou ater-me então exclusivamente aos textos, as palavras, que é o que eu ainda acho que consigo me sair bem, e assim retirar um estresse desnecessário da minha vida (não que não vá haver imagens de vez em quando).

E é assim que se recomeça em tempos turbulentos (para não dizer que o post não tem nada haver com o título): Encarando seus prós e contras, o tempo útil, e fazendo questão de deixar toda pedra no caminho como o que ela é, uma pedra. Ou seja, não só fazer as coisas de forma simples, mas vê-las de maneira simples.

Não posso fingir ter um blog descolado, com assuntos sempre interessantes, se eu não sou assim. Ou ter um blog literário com várias resenhas, se eu me preocupo mais em ler o livro do que anotar impressões detalhadas no decorrer dele para compartilhar depois. Não posso me dedicar ao blog integralmente, se ele não é o meu negócio de vida, ou se eu não tenho tempo. Não posso fugir das minhas responsabilidades, e inverter as coisas, tratando-as como hobbies e os hobbies como se fossem elas. Além de ser errado, me deixa mais enrolada que linha em carretel.

Coisas da vida.

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5 comentários sobre “Como recomeçar em tempos turbulentos?

  1. Tamirez Santos disse:

    É minha primeira vez por aqui e entendi bem o que quer dizer. Eu tinha abandonado blogar por um bom tempo, até que voltei no início do ano, sob um olhar diferente. Muita gente que visita os blogs hoje, ou que os cria, espera uma dedicação total, pois a popularização e os “blogs famosos” viraram uma febre e um fardo.
    Para aqueles que não blogam é difícil explicar que ter um blog pode ser somente para expressar aquilo que guardamos preso dentro de nós e não uma maneira de ganhar dinheiro. É quase como se hoje manter um blog fosse algo a se ter vergonha, se ele não tiver o objetivo de monetização.

    Eu blogo a mais de 10 anos e sei que a coisa não é bem assim, pelo menos pra mim. Tudo o que eu falo ou escrevo no Resenhando são coisas que gosto e quero compartilhar. Muita gente não entende e espera mais. Bom, fodam-se elas.
    Blogar era pra ser uma válvula de escape, não minha profissão. Cada um tem seu tempo, seus objetivos.

    Tirei dois meses fora do mercado de trabalho esse ano e tive a mesma impressão que você. Quanto mais tempo eu tive, mais deixei de fazer as coisas e mais “ocupada” fiquei, com outras. Parece que somos mais produtivos quando não temos tempo pra nós mesmos.

    Boa semana 🙂
    http://resenhandosonhos.com

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    1. Alessandra Bastos disse:

      Ahhhh então me entendes! Não acho errado que blog seja profissão, mas isso acabou também exigindo de quem não trata ele como isso! É uma loucura desenfreada em ter posts o tempo todo e sempre estar bem antenado que eu não consigo acompanhar, me canso fácil, fácil… E to concordando contigo, penso que se tivesse um monte de coisas pra fazer, eu não estaria me sentindo assim tão sem tempo. Teria feito as coisas a mais e as coisas que de fato tenho que fazer. Por que somos seres tão complexos, né? Hahah
      Obrigada pelo comentário! 😀

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  2. Erika disse:

    Querida, estamos na exata mesma situação. Tanto é que deixei o blog de lado por uns tempos e voltei agora, por isso estou respondendo seu comentário bem tarde, me desculpe 😦
    Eu adorei seu blog. Eu uso o Manifest num blog meu, estritamente pessoal, que uso pra chorar as pitangas às vezes. Esse ano não fui lá nenhuma vez, não tenho tempo nem de chorar pitangas. ENFIM.
    Você escreve muito bem, adorei te ler.
    Um beijo.

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    1. Alessandra Bastos disse:

      Eras, não ter tempo pra chorar as pitangas é hard, viu?! Eu ultimamente só tenho feito isso no blog, pra não dizer que ele anda abandonado, mas admito que até esse choro anda sendo demorado por aqui. Acho que preciso de férias, hahahaha E muito obrigada pelo elogio! ^^

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