Das frustrações

Ah, as frustrações.

Elas parecem ácido que vão queimando a gente por dentro. Do topo da cabeça até a ponta dos pés. É quando elas vem que percebemos o quão socialmente presos nós somos. As frustrações, amigo, geralmente não são tão ruins quando a gente pensa em nós, mas elas ganham uma proporção terrivelmente gigante quando são pensadas em relação ao outro. Sobretudo se esse outro é alguém com quem nos importamos.

Claro, é evidente que ninguém gosta de falhar. Todo mundo queria ter uma história perfeita, uma escala ascendente em direção ao topo, ao sucesso. Mas a vida não é bem assim. Talvez para alguns, mas certamente não para a parcela esmagadora das pessoas que dividem esse pedaço de nada que chamamos de planeta terra. Pior ainda, quando as pessoas não esperam que você falhe. Afinal, você é você. E você não falha. Certo? Não. Elas não sabem quem é você, de verdade. Elas utilizam um você idealizado do qual algumas coisas estão de acordo com a realidade e tantas outras não.

Em geral, o você idealizado é alguém que não tem medo. As pessoas não pensam muito nos seus anseios, no que você pensa sobre as coisas. Elas não ligam muito pra sua opinião real, mas tem, com toda a certeza, sua opinião idealizada por elas em conta. E assim forma-se uma teia de conjecturas que se rompe quando você falha. O estado catatônico que você sofre não é porque você de fato falhou, pois seu eu de verdade sabe que é possível falhar, sabe que você poderia ter feito algumas coisas melhores, que você não se dedicou tanto quanto o você idealizado aparenta ter se dedicado. Embora a vontade de querer possa até ter sido uníssona nessas suas duas metades. O estado catatônico chega quando as pessoas enxergam o você real, mas não conseguem se desfazer do você idealizado.

E aí o ácido da frustração começa a ebulir no seu interior.

A frustração vem como uma contra-corrente aos olhares de pena, as palavras de conforto que parecem outra coisa. “Não acredito”, “Mas você é tão bom!”. Vem como uma veia de raiva e proteção pelo amargo sabor da falha. Não é possível falhar em paz esses dias. Falhar não é uma opção. É ruim demais, é um tabu. O você idealizado não falha. O você idealizado conquistará o mundo antes dos trinta. Como então, não passar em uma etapa tão besta? A sensação é tão ruim que te desnorteia, não é mesmo? Como que você pode falhar, logo você, que não falha? O olhar do outro pode ser cruel, tão mais cruel porque não tem intenção de sê-lo. As expectativas alheias são as que mais frustram durante um ato falho. As que mais colaboram para acidez da frustração.

Mas é preciso respirar fundo e deixar ela ebulir até o ponto e evaporar. A partir dai, ajeitar os ombros e reorganizar a vida. Não é necessário tanta pressa assim, no final das contas, todo mundo chega no mesmo lugar. Então, porque se martirizar por um passo atrás? Por que não ver talvez, como dois passos à frente? Como uma nova oportunidade? Uma janela que de repente se abriu, e que você não tinha notado. Simplesmente enfiar goela abaixo a filosofia do “foi melhor assim”, criar o efeito placebo e se permitir respirar sem toda a pressão social uma única vez antes de mergulhar na histeria que é viver em sociedade de novo.

Talvez haja frustrações que “vem para o bem”.

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2 comentários sobre “Das frustrações

  1. Jessica Mendes (@jessicamendesdm) says:

    Gostaria primeiramente de agradecer a tua visitinha lá no blog, 2º que eu estou apenas apaixonada pela tua escrita, você é o tipo de blog que gosto de visitar, que gosto de ler mesmo porque é inteligente, é sincera e me identifico muito mesmo!
    Passeis uns 20 minutos lendo algumas postagens tuas e fiquei apenas apaixonada ❤
    Parabéns mesmo, o post sobre brasileiros não gostarem de ler foi incrivel, li e reli umas 2 vezes… 😉
    Valeu a pena esperar

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    1. Alessandra Bastos says:

      Ai muuuuuito obrigada pelos elogios! Fico super feliz que tenhas gostado do meu post e do meu estilo de escrita! Sério mesmo! Lisonjeada! Volte sempre, viu? Não sou uma blogueira tão assídua, mas vira e mexe apareço com alguma coisa que não seja só reclamação por aqui, hahaha bjs

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